Hiperônimo

Não vou fazer mais um poema sobre nós
Não gastarei uma linha com ti
Independente se teu sorriso ainda é lindo
Apesar de ter me apaixonado de forma honesta

É sério, me recuso a ter, em mim, você
Nem pense que eu me ligo
Segue aí teus objetivos, eu vou beber
E pra quê lhe dizer, você é um lixo

Eu sou pior
Sei que sim

Sai

Eu não vou fazer mais poemas
Até que você gaste menos que uma linha
Independente que eu ache que não tenho mais coração pra isso
Foi tão honesto quando um idiota pode ter

Menos que uma linha
Uma palavra comprimida
pr vc

Só queria te contar que ainda posso me apaixonar

Acendo uma vela na escuridão do quarto
Desvelo teu sacro sono
Pra exibir um segredo inopurtuno
Ainda há com quem sonho

Tu abre um sorriso
Uma leve subida no supercílio direito
Eu abro meus braços
Meu último desejo é um abraço estreito

Vou indo agora
Durma meu bem
A madrugada cobra seu preço

Pela minha bochecha escorre uma lágrima
As estrelas escorrem pra fora do céu
Eu me recuso a lhe ter uma última lástima

Escondida verdade

Entre lobo e cão
Há um gato
Soturno, ligeiro e vaidoso
Que percebendo a transitoriedade do mundo
Aceita de bom grado passar essa noite
Ao teu lado
Mesmo que tudo passe, acabe, morra
Há de viver em minha memória o bem que tentei lhe fazer, e o mal que acometi sem querer

Sim são notícias de amor
Mas qual notícia não foi motivada por um coração?
O amor que preenche não é uno
É o amor de uma mãe que cozinha um pedaço de carne para três
É o amor de um amigo que chora em teu ombro na penumbra da noite
É o amor de uma mulher que se entrega despida, de roupas, de falsos sorrisos
O meu amor não é facilmente perceptível
escondo-o nessas linhas tortas

Todo mundo honra os tutores
E os tutores honram seus tutores
Se assim formos, eu honro a ti, ao Paulo e minha mãe
E vocês honram qualquer Camões ou Rimbound
E eles honram qualquer bardo medieval que cantou uma mulher com palavras arcaicas
A questão é que a única forma de honrar um poeta
É nunca desistir da poesia

O bucolismo é a maior mentira dos contemporâneos
Fotos de belas praias ou frias chácaras
no apogeu técnico-cientifico-informacional chamado celular
Milton Santos ficaria surpreso com o mundo quase cyberpunk que ainda escreve lindos mundos de fantasia da Europa medieval
Sejamos honestos, é belo pensar numa fogueira
Mas o aquecedor elétrico é mais confortável

No meu peito carrego os que já foram
As vezes por doença
Outras por acasos
Mas o pior tipo foi os que foram acometidos de tempo
Esse sim é cruel, pois leva para mais longe que Plutão
E mesmo assim permite que se visualize,
dê esperanças de um reencontro
De duas almas desalinhadas
que nunca mais se tocarão

A poesia é tudo que há
Para compreender
Vocês
O universo
Eu
Não posso desistir disso
Como não posso desistir de amar
Mesmo que inevitavelmente eu esbarre em conhecimentos que me assustem
Mesmo que eu não possa aproveitar a experiência
Ainda posso aproveitar a poesia
Que venha então, leve-me tempo, pois deixo o que precisei deixar, e mesmo que esse suma, ainda viveu aqui, agora

Pouco me importa o tempo futuro
Futuro não há, pra quem tenta aproveitar o presente
e mesmo que este falhe, ainda revive o passado
Maculado pelas hipérboles próprias a lembrança
que aumentam ainda mais o amor que senti numa noite qualquer em que tua voz foi o que me restou de esperança

Esse texto pode fugir ao clássico
Pode não ter rimas ricas ou grandes hiperbatos
Mas pouco importa de fato
pois tens razão nada restará do que escrevo
Mas o mundo é um ilusão
E quando eu finalmente acabar
Vocês todos acabarão comigo
Pois em mim só vive vocês todos
E eu só posso viver em vocês

Tá aí?

Linguística fria
Línguas esquecidas
Seus lábios aquecidos
Brasas que me excita

Meu coração a palpitar
Seu sorriso a me encarar

Sonhe comigo quando se deitar
Por que essa noite, eu me recuso a dormir

Tenho esse poema a terminar
E pras paredes sorrir

Lá vem o sol de novo
Já cansei dele
Rápido corra comigo
Sem olhar pra trás
Rápido
Ainda
Não dá mais
Eu tentei por nós dois
Você tentou só por mim

Enfim, não temos um fim
Mas daria um filme
Daqueles do Tarantino, ou quem sabe uma comédia ruim

Com certa pra mim?

Não tem conserto
pro que nasceu quebrado
Não tem concerto
pra um instrumento desafinado

A gente pode fingir que é tempo,
que é Deus, ou que é mal exemplo
Mas a verdade é que já vivi de +
Já é hora de deixar de tentar ser feliz

Minta se quiser dizendo que tem salvação
Mas no futuro guardado pra mim só tem erros
Lá vem o destino, carregado de frustração

Não dá tempo de explicar, me acuda
Pegue a corda e de um nó
Acorde pra vida, eu vou morrer só

Torta de tontura, tortura

A menina que tira uma selfie na balada
Morta por dentro
O rapaz que finge que não sente a paixão
Morto por dentro

O homem que bebe para lidar com as dores
Morto por completo
A mulher que gasta no shopping pra se esvair
Morta e incompleta

Só o ser completo torto
Quebrado, largado
Não está morto

Pelo contrário, se recria como um pedaço de ferro
Cada cicatriz o deixa mais próximo de uma vida
Enquanto se vê por completo, num futuro discreto

Não me diga a verdade, me conforte

Eu abri as janelas do meu coração pra entrar um ar
Uma tempestade invadiu minha alma
Mil furações escancaram toda a casa

Corri e fechei com o máximo da minha força
Mas as trancas já estavam estragadas
E a cada minuto entra um resto dessa brisa

Quando eu lembro do dia que te vi pela primeira vez
Ou quando vejo o céu da mesma cor daquela conversa
Nessas madrugadas frias que lembram o que fiz pra te esquecer
Naqueles dias quentes que lembram um passeio no parque

Você poderia ter só sido soprada pra longe
Mas preferiu me despir
Rir e sumir
Vamos lá, me diga que foi minimamente recíproco
Não da pra ser
Nunca é
Já me disseram isso
Mas queria algo confortável
Que me conforme a isto

Mar Ãzul Estrelado

Ainda que todo o tempo passe
Seu amor nunca termina de passar por mim
Passageiros nessa vida
Navegando em nossas almas

Em você percebi a mim
O mesmo sangue corre
Alma fragmentada

É, eu sinto muito por não ter entendido que alguns navios as vezes perdem a rota e precisam de reparos na cabine de comando