Sou um livro aberto a visitas
Não quer dizer que seja fácil
Escrito em línguas esquecidas
Mas não é impossível
Há quem tente
E a esses, a tudo me é
Compilado de escritos
Sou um livro aberto a visitas
Não quer dizer que seja fácil
Escrito em línguas esquecidas
Mas não é impossível
Há quem tente
E a esses, a tudo me é
Acabei de acordar com o sol
Acordei e não ficarei só
Tratei noite passada com a lua
Dado a mim o direito à uma luta
Negociei com as estrelas, lá vem a estréia
Nego à vida, e tu que comigo se estressa?
Fui no Starbucks e lembrei de você
Um frapuccino que você sempre pedia
Éramos amigos eternos
Vidas perdidas em uma via expressa
Viviamos em um abraço fraterno
Vi seu insta outro dia
Estava diferente
O sorriso ainda é o mesmo
Mas já não nos reconheceriamos hoje
Por que já não somos só riso
O frapuccino chegou, apenas meu nome escrito
Esperei por você por engano
Um dia nos veremos num acaso inscrito
Você talvez sorria
Eu talvez reconheça
Ou ache que seja só uma cópia sombria


Muda-se o mundo
Muitos mentem
Misturo me a morte
Emudecem o mundo
Mas a merda você não vai
Toc toc
Quem é?
Tic tac
Quanto passou?
Tchau
Quem vai pra longe?
Oricalco teu amor é
Essa frase mais que perfeita tenta ser
Ouro mais puro, eu tentei lhe ter
Nosso poema morre sem cabeça ou pé
Podemos tentar de novo
Novidades não há
Não sei quem é mais doido
Quem fugiu ou quem ainda aqui está
Vai ter uma festa
que eu vou decidir dançar
até todo mundo pedir pra eu parar
aí eu paro
tiro a lâmina do bolso
e acabo com minha vida


Cada dente-de-leão um desejo
Cadê minhas chances nesse ensejo
Cada assopro um novo receio
O leve surruso do ar foi mais forte que meu pulmão
Vou me deitar
Me acorde quando o sol vier até aqui
para se desculpar
Pois só estou no frio da terra
Prestes ao suicídio nessa minha guerra
Até tentei confiar na lua
Mas ela não era muito melhor
Tão rasa, completamente supérflua
Talvez meu lugar seja na terra,
com quem ainda é um perfeito humano
Risco teu nome do meu caderno
Diamantes riscam minha pele
Arrisco uma lágrima singela
Uma pedrinha que cai do céu na minha bochecha
Raios que te partam
Que tu parta pra bem longe
Que parto foi te rever
Que nos encontremos somente no fim
Quando já não ouvir esse tintim
De taças de vinho me levando a ti
Que você perceba
Que nada se compara
A minha vontade louca
De entender essa vontade rouca
Vamos resista
Vamos punhos a riste
Ok, também estou triste
Desista
Não discuto com o destino
O que pintar eu assino
Ricardo Reis
Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.
A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós-próprios.
Suave é viver só.
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses.
Vê de longe a vida.
Nunca a interrogues.
Ela nada pode
Dizer-te. A resposta
Está além dos deuses.
Mas serenamente
Imita o Olimpo
No teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não se pensam.
Te mandei pro inferno
Esqueci que você me acalorava no inverno
Te tornei meu paraíso
Só não sei o por que disso
Espero só te ver na memória
Que morra nossa história
Conforme você perceba
Que continuamos na mesma