Tão não

Tão fácil
Que chega a ser difícil
Esse meu infernal paraíso
Sempre que vejo teu sorriso

Tão real
Que chega a ser falsa
Cada vez que eu tento algo legal
E você me ilude com meia dúzia de falas

Nada sobre amor
Tudo sobre paixão
Chega a ser sem pudor

Nada sobre nós
Tudo sobre você e eu
Chega disso, desfaça esse nó

Substituto

Lábios sublimes
Passando uma mensagem subliminar
Sublinham o amor
Que encontro em teu olhar

Submerso em fracassos passados
Subtítulo de uma comédia romântica
Sabe?

Sobre isso e aquilo
Me sobram elogios
Sóbrios sonhos daquilo
que sabem bem os sábios

Sorte que já está no subúrbio do meu coração
Sobre tudo, me sobra um sorvete prometido
E meia dúzia de “sempres” soprados ao longe

Paulo Leminski e Engenheiros do Hawaii

(Poema sem nome)

Nada tão comum

que não possa chamá-lo meu

Nada tão mole

que não posso dizê-lo osso

Nada tão duro

que não possa dizer posso


A Montanha

Nem tão longe que eu não possa ver
Nem tão perto que eu possa tocar
Nem tão longe que eu não possa crer que um dia chego lá
Nem tão perto que eu possa acreditar que o dia já chegou

No alto da montanha, num arranha-céu
No alto da montanha, num arranha-céu

Se eu pudesse, ao menos
Te contar o que se enxerga lá do alto
Com céu aberto, limpo e claro ou com os olhos fechados
Se eu pudesse, ao menos, te levar comigo lá

Pr’o alto da montanha, num arranha-céu
Pr’o alto da montanha, num arranha-céu
Sem final feliz ou infeliz…atores sem papel
No alto da montanha, à toa, ao léu

Nem tão longe, impossível
Nem tampouco lá… já

No alto da montanha, num arranha-céu
No alto da montanha, num arranha-céu
Sem final feliz ou infeliz…atores sem papel
No alto da montanha, num arranha-céu

Chega desse show

Deus do céu, estou pra cometer um crime de ódio
Não estou mais a aguentar
De hoje não passará, aguarde só esse episódio
Nunca mais vou tentar amar

Não venha dizer que eu não avisei
Você vem até mim com meia dúzia de sorrisos
E me deixa como um rei
Mas não creio mais nisso
Viverei só dos meus “desejeis”
Remoendo os meus amores perdidos

Assustado né?
Pois fique, estou a sair
Um pé, outro pé, já estou a me tornar blasé
E você aí a rir

Eu sei que não vai durar essa meta
Você plantou muito fundo sua semente
Não quero mais isso não, pura merda
Você diz que é pra crer no amor, mas só mente
Quero ser um robô, é o que me resta
Fazer cálculos e bip bop pra meus parente