Infinósdois: ínfimos tempos postos ao céu

Um dia a mais passando e eu ainda não ri
Logo uma semana, mês, anos, até tu não estar só
Uns tempos passando por ti
Passa-se o que sobrar de mim em nós

Um verão que vai ao longe
Uvas, passam a vinho, que viram vinagre
Um inverno que vem do horizonte
Ursos pandas passam e buscam meus milagres

O inferno que foi ver tu embora
Verde árvore que aflora
Tronco retorcido que seca em tempos nublados
O paraíso quer anjos pra um infinito atrasado

Olha como estamos meu bem
As prioridades mudaram a plena luz
Mas a luz não mostra como sofro por estar zen

Tudo indo pra frente
E o que fica pra trás
É o futuro que virá

Talvez quando tudo passar você possa rir
Possamos voltar a esta felicidade
Nesse meio tempo, encontro-me na eternidade de promessas que não irão se cumprir

Vendi o título para comprar um iPhone

Que bela menina teclando
Será que não percebe
Que a cada tecla
Morre um lápis?

O tempo mata o analógico
Esse pensamento é lógico
Mas lá vem os digitais relógios
E nasce mundos isnópitos

A menina só quer viver a própria realidade
Não deve se preocupar com o fato
Do mundo, estar incompleto, chato
Ah bela vie, por que não acabar com a maldade?

Desculpa, viva feliz e despreocupada
Enquanto eu me preocupo
Com o massacre dos lápis por tecnologias do obscuro
Ah bela menina, será que o teclado é uma ferramenta desalmada?

Solipsismo

Antes eu achava que era o único ser consciente
Hoje vendo você cometer erros tão parecidos
Mesmo sendo tão diferente
Vejo que explicar a qualia é isto

Um erro linguístico
Achar que eu poderia ser único

Quanto tempo levou para romper meu coração rústico
E expandir meu amor minúsculo

Hoje acho que nós dois estamos destinados a sermos alter
Perdidos num mar de egos

Mas penso que isso vai mudar
E no fim estarei certo

E eu sou o único humano consciente

E você uma louca que acha que pode me enganar
Mandado por deuses que querem me acalentar

E o pior não vou ir contra a corrente

Futudistopismo

Tenha pena do meu neto
Ele verá morrer tudo pelo que lutamos
A água se esvair do leito
A flora sumindo de ramo em ramo

Mas no limite do Estado
Sem sentindo para o trabalho
O proletário depois de explorado, esfomeado
Os humilhados, nunca exaltados, estraçalhados

A humanidade em seu abismo
A arte feita por máquinas
A beleza escrita pelo capitalismo

Eu perdido
Vendo esse poema
por um algoritmo melhor reescrito

Disgressão

Oh, entendo sim
É faz sentido
Ela deve me odiar
É isso que está acontecendo com você é péssimo
Nossa, não creio que ele te disse isso
Não é sério, eu sou péssimo
É pois é, essa tua fase passa
Eu tentei ser evoluído, ela foi horrível
Nada a ver isso tudo
Eu concordo com o que tens feito
Eu não paro de pensar nela
Tchau
Eu queria que ela fosse feliz,
de preferência
longe da minha
linha de
raciocínio
Oi, como vai?
Viu o que ela fez esses dias?

Chicote do corpo

Por vezes sou um Gregório de Matos
Toda o rebanho de humanos amaldiçoados
Palavras belas e hiperbatos
Boca dos infernos que debocha de uma bando almado

Lógica e ironia aplicadas à guerra
Contra tudo e todos, contra mim
Não finja que não espera que eu seja assim