Um dia a mais passando e eu ainda não ri
Logo uma semana, mês, anos, até tu não estar só
Uns tempos passando por ti
Passa-se o que sobrar de mim em nós
Um verão que vai ao longe
Uvas, passam a vinho, que viram vinagre
Um inverno que vem do horizonte
Ursos pandas passam e buscam meus milagres
O inferno que foi ver tu embora
Verde árvore que aflora
Tronco retorcido que seca em tempos nublados
O paraíso quer anjos pra um infinito atrasado
Olha como estamos meu bem
As prioridades mudaram a plena luz
Mas a luz não mostra como sofro por estar zen
Tudo indo pra frente
E o que fica pra trás
É o futuro que virá
Talvez quando tudo passar você possa rir
Possamos voltar a esta felicidade
Nesse meio tempo, encontro-me na eternidade de promessas que não irão se cumprir
Pista de pouso

Aposto para o Bechara

O i de opinião não é questão de opniao
Ao contrário do o posto no oposto que depende
da boa vontade do escritor teimoso
Idade média

Desconcerto patriótico
Meu patrão ama a pátria
Sua patroa ama o Patrício
Arpejo dos rifles na floresta
Que venha Gaia direto de Mayombe
Pra proteger esse homem de sua galha
Vendi o título para comprar um iPhone
Que bela menina teclando
Será que não percebe
Que a cada tecla
Morre um lápis?
O tempo mata o analógico
Esse pensamento é lógico
Mas lá vem os digitais relógios
E nasce mundos isnópitos
A menina só quer viver a própria realidade
Não deve se preocupar com o fato
Do mundo, estar incompleto, chato
Ah bela vie, por que não acabar com a maldade?
Desculpa, viva feliz e despreocupada
Enquanto eu me preocupo
Com o massacre dos lápis por tecnologias do obscuro
Ah bela menina, será que o teclado é uma ferramenta desalmada?
Maps Personalité
Você me encontrou e eu estava perdido
Você me deu um mapa para sair do fundo
Rasguei o mapa porque me encontrei querido
E me perdi com você nesse estranho mundo
Solipsismo
Antes eu achava que era o único ser consciente
Hoje vendo você cometer erros tão parecidos
Mesmo sendo tão diferente
Vejo que explicar a qualia é isto
Um erro linguístico
Achar que eu poderia ser único
Quanto tempo levou para romper meu coração rústico
E expandir meu amor minúsculo
Hoje acho que nós dois estamos destinados a sermos alter
Perdidos num mar de egos
Mas penso que isso vai mudar
E no fim estarei certo
E eu sou o único humano consciente
E você uma louca que acha que pode me enganar
Mandado por deuses que querem me acalentar
E o pior não vou ir contra a corrente
Vi, e ela fica verde algumas vezes ainda
Preciso de tempo
Verde árvores
E invejarão
Preciso esticar o presente
E não deixar chegar o verão
É verdade
Vocês todos verão
Inutilia Truncat
O futuro tem sido muito presente na minha vida
Os frutos da semente de ontem ainda não brotaram
Os trunfos que antes exibia me são tomados
A tudo pra ser reconquistado
Atado fui pelo meu passado, enquanto meu presente é ter a chance de admirar um futuro inesperado
Vou a ti no futuro

Futudistopismo
Tenha pena do meu neto
Ele verá morrer tudo pelo que lutamos
A água se esvair do leito
A flora sumindo de ramo em ramo
Mas no limite do Estado
Sem sentindo para o trabalho
O proletário depois de explorado, esfomeado
Os humilhados, nunca exaltados, estraçalhados
A humanidade em seu abismo
A arte feita por máquinas
A beleza escrita pelo capitalismo
Eu perdido
Vendo esse poema
por um algoritmo melhor reescrito
Disgressão
Oh, entendo sim
É faz sentido
Ela deve me odiar
É isso que está acontecendo com você é péssimo
Nossa, não creio que ele te disse isso
Não é sério, eu sou péssimo
É pois é, essa tua fase passa
Eu tentei ser evoluído, ela foi horrível
Nada a ver isso tudo
Eu concordo com o que tens feito
Eu não paro de pensar nela
Tchau
Eu queria que ela fosse feliz,
de preferência
longe da minha
linha de
raciocínio
Oi, como vai?
Viu o que ela fez esses dias?
Rancor foda-se, não sou bom afinal
Eu tentei ser bom
Mais educado do que você merece
Tu preferiu seguir a única coisa que você é capaz de amar
Mais amor do que você mesma acredita que merece
Tu preteriu-me
E eu nem sabia que esse verbo podia ser conjugado assim
Chicote do corpo
Por vezes sou um Gregório de Matos
Toda o rebanho de humanos amaldiçoados
Palavras belas e hiperbatos
Boca dos infernos que debocha de uma bando almado
Lógica e ironia aplicadas à guerra
Contra tudo e todos, contra mim
Não finja que não espera que eu seja assim