Onde anda?

Sai a procura de eu
mil passos a sul, mil passos ao norte
Corri pra longe do breu
Tentei procurar em tu um suporte

Nada encontrei na primeira tentativa
Parei de correr, deitei por uns meses
Amigas me acordaram, muitas expectativas
Decidi caminhar, encontrei meia dúzia de antíteses

Estavam a rir comigo,
de repente já riam de mim
Quase um castigo, se não fosse meigo

É, a pior das antíteses me disse:
“Enquanto você se encontrar em alguém,
se encontrará sozinho”.

Quinca Borba morreu feliz

O gato não nos afaga, mesmo sem qualidades.
Arrasta seu corpo por nós
em busca de reciprocidade,
O gato afaga-se, para que não fiquem a sós.

Não existe amor ao próximo
Existe no próximo a busca de algo

Amor por empréstimo
solidão por débito

A solidão é justa,
vem sem ser chamada, não discrimina
O amor nos imputa
A culpa cai sobre quem rima, certo menina?

Uma hora de distância

A distância certa de um amigo
É a distância de um braço
Suficiente um abraço
Alguém que esteja comigo

As vezes a distância de uma ligação
Alguém que me ouça independente da situação

Por que não a distância de um eu te amo?
Boa companhia a quem sobre o amor clamo e reclamo

É, a única distância inaceitável é o tempo
Nem espere que depois de uma longa jornada
tudo seja o que era, nem espere ser ovacionada
O tempo não mata, mas é desatento.

Produto estragado

Vi um vídeo que na China os celulares quebrados vão direto ao descarte.
Tinha mil comentários de homens vislumbrados,
tal era a humana arte.

Contudo Deus é muito mais perfeito,
vejam só suas máquinas, os humanos.
Quando ao mundo eles vem com defeitos
se jogam de pontes como mais um dia mundano.

O que é ISO 9000, perto de uma paranóia?
Deus é tão mais eficaz, seu filho se vê mal.
Logo aquelas triste almas, que ninguém apoia

É Deus, sou grato pela visão verdadeira,
por ao olhar no espelho e perceber meu erro.
Esse mal costume de viver essa besteira.

Ignore minha ânsia

Oh, essa minha mania de apelar à diatribes.
Falta de educação ou respeito, talvez amor.
Minha forma de falar, bastante bad vibes.

Aos diabos com a mentira, quero honestidade.
Vou começar a seguir essas pessoas, mentiras boas.
Só custa a minha santidade.

Diógenes estaria feliz.
Mas não sei se ele é uma boa inspiração.
Por que diferente desse infeliz, eu só queria um bom coração.

Tento melhorar, ainda que com poucas.
Ao terminar a frase, minha consciência rouca.
Mania de palavras enérgicas com minha moça.

Belchior está certo

Qualquer dia desses, meu passado, eu escuso
Corro para bem longe da casa dos meus pais
Até que sinta que sou algum tipo de intruso
Lerei mil jornais, tantos importantes ideiais

Qualquer dia desses descambo
Corro pra bem longe da minha família
Até que em meu trabalho veja um escambo
Irei a mil ilhas, linda Ilíada, uma nova homilia

Depois desses dias olharei no espelho
Verei os olhos da minha mãe, o nariz do meu pai
Me assustarei, depois de tanto, fico velho.

Linda menina estará ao meu lado

Meu pai irá rir
Minha mãe a denegrir

Eu estarei ainda noivo

Qualquer dia desses meu filho nasce
Outro dia ele foge de casa, se cansa
E aí será eu a rir, o tempo renasce
Após terei um ultimato, meu filho, descansa

Qualquer dia desses, quando eu largar a imaturidade de escrever poesias.

TempoDeAçãoHumana

Tenho um velho amigo
Vive a correr, foge comigo
Foge de mim, atrás de perigos

Ele sempre altera tudo,
um dia me dá uma amante,
noutro tira me um amigo absoluto

As vezes tenho impressão que corre em círculos
Pois ao irmos ao circo, bem vejo, que nada deixo
Mas logo que eu queixo, ele cria novos vínculos
Me tira algumas flores mortas, e recria um eixo

Ele disse que estava nem aí, me ameaçou
Qualquer dia desses ele ficará bem irritado,
E apenas me abandonar. Nada nunca queixou.
Mas esse tal tempo sempre altera nosso estado.

A cigarra e a formiga

A cigarra puxou um fumo
A formiga foi trabalhar
Eu busquei o amor
E tu um novo tipo de ar

A cigarra tocou suas músicas
A formiga fez um investimento
Eu busquei por poesias rústicas
Você brincou com meus sentimentos

A cigarra teve cirrose e morreu com glória
A formiga um divórcio, deixaste de ser rica
Eu cometi suicídio, morri sem nada de história
Você visitou a Amazon, e bateu uma siririca

Hipérbole

Sempre exagerei
Naquilo que dei
Exagero até o esperado
Completamente depreparado

Exagero pra baixo
Quando lhe deixei
Meu coração enfaixo
De novos “desejei”

Desejos antigos,
passados,
anetodas em livros,
hoje repudiados

Exagero agora nesse causo,
Papel velho, que já foi branco
Meus exageros caem em desuso
enquanto escrevo um texto pouco franco