Qualquer dia desses, meu passado, eu escuso
Corro para bem longe da casa dos meus pais
Até que sinta que sou algum tipo de intruso
Lerei mil jornais, tantos importantes ideiais
Qualquer dia desses descambo
Corro pra bem longe da minha família
Até que em meu trabalho veja um escambo
Irei a mil ilhas, linda Ilíada, uma nova homilia
Depois desses dias olharei no espelho
Verei os olhos da minha mãe, o nariz do meu pai
Me assustarei, depois de tanto, fico velho.
Linda menina estará ao meu lado
Meu pai irá rir
Minha mãe a denegrir
Eu estarei ainda noivo
Qualquer dia desses meu filho nasce
Outro dia ele foge de casa, se cansa
E aí será eu a rir, o tempo renasce
Após terei um ultimato, meu filho, descansa
Qualquer dia desses, quando eu largar a imaturidade de escrever poesias.